Hipnoterapia
Há coisas que não mudam só porque já foram compreendidas
Uma Parte Quer Avançar. A Outra Reage Como se Avançar Fosse Perigoso
Nestes casos, compreender não basta. E isso não é falta de força de vontade.
Sabe que não está em perigo, e o corpo entra em alerta na mesma. Sabe que precisa de dizer que não, e acaba por ceder. Decide mudar um hábito e, duas semanas depois, está no mesmo sítio.
A Hipnoterapia trabalha com as respostas que aparecem antes de haver tempo para pensar.
O Que é a Hipnose
Um estado de atenção focada.
Fica mais absorvido naquilo que se passa dentro de si. Não é dormir. Não é perder a consciência. Não é entregar o controlo a outra pessoa.
A maior parte das pessoas descreve qualquer coisa entre estar muito concentrada e estar muito descansada. O corpo pode ficar mais pesado ou mais leve. A respiração abranda. O que está à volta continua lá, mas deixa de importar tanto.
Continua a ouvir o que digo. Pode falar, mexer-se, abrir os olhos ou parar quando quiser.
Muita gente sai da primeira sessão a dizer que esperava sentir outra coisa. Costuma ser mais discreto do que se imagina.
Porque é Que as Pessoas Me Procuram
Estas respostas raramente surgem do nada.
- ansiedade, ou a sensação de estar sempre à espera de que alguma coisa corra mal
- crises em que o coração acelera, a respiração muda e parece que se perde o controlo
- reações do corpo que aparecem antes de haver tempo para pensar
- medos específicos e situações evitadas há muito tempo
- hábitos que se repetem apesar da decisão de mudar, como recorrer à comida, ao álcool ou ao telemóvel para aliviar tensão
- dificuldade em dizer que não sem ficar com culpa
- guardar o que se sente até acabar por explodir
- padrões nas relações que já se reconhecem e continuam a repetir-se
- adiar, bloquear, ter receio de avançar
- não conseguir desligar, descansar ou adormecer
O problema aparece quando continuam a comandar depois de a vida já ser outra.
Muitas começaram por ser formas de aguentar, de evitar, de controlar, de estar atento ou de não incomodar. Foram úteis em determinada altura.
Como eu Trabalho
Não começo pela hipnose. Começo pelo problema.
Quero saber em que situações a dificuldade aparece, o que a desencadeia, como se manifesta no corpo, o que sente e pensa naquele momento, e o que acaba por fazer para recuperar alguma sensação de segurança. Quero saber há quanto tempo isto dura, o que passou a evitar, e o que lhe está a custar hoje.
É isso que me ajuda a perceber se estamos perante uma reação ao que está a acontecer agora, uma resposta aprendida noutra altura, ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Quando a hipnose faz sentido, uso esse estado de atenção focada para trabalhar diretamente com a resposta. Conforme o caso, pode passar por aumentar a sensação de segurança, desfazer a ligação entre uma situação e o alarme que ela dispara, usar aquilo que já consegue fazer noutros contextos, ou preparar uma resposta diferente para uma situação concreta que se aproxima.
Não regresso ao passado por sistema, e não parto do princípio de que é preciso encontrar uma memória escondida para resolver seja o que for. O trabalho orienta-se pela dificuldade de agora.
No fim quero perceber uma coisa: essa reação ainda o protege de alguma coisa hoje, ou já só existe por hábito?

Um exemplo.
Uma pessoa sabe que precisa de estabelecer um limite. Mas, quando tenta, alguma coisa acontece antes de conseguir agir como gostaria.
O QUE SABE
Racionalmente sabe que pode dizer que não.
O QUE O CORPO FAZ
O coração acelera, a garganta fecha e surge tensão.
O QUE ACABA POR FAZER
Cede, com receio de criar conflito ou perder a relação.
O problema não é não saber dizer que não. É o limite ter ficado associado ao perigo.
A Hipnoterapia não serve para obrigar a pessoa a dizer que não. Serve para trabalhar aquilo que transforma um limite num perigo e criar espaço de escolha antes de a reação automática assumir o comando.
Não é deixar de sentir desconforto. É conseguir agir a partir do presente.
O Que Pode Fazer Parte do Acompanhamento
A hipnose é uma ferramenta dentro do processo, e não entra em todas as consultas. Muitas sessões fazem-se inteiras a conversar.
01
Perceber
Compreender o padrão
E as situações que o ativam.
Trabalhar a dimensão física
Quando também está a pesar.
02
Preparar
Usar hipnose quando faz sentido
Ajustada à dificuldade e ao objetivo.
Preparar respostas diferentes
Para situações concretas que se aproximam.
03
Decidir
Mudar rotinas ou condições
O que continua a alimentar o problema.
Encaminhar, quando for esse o caminho
E dizer-lho com clareza.
Às vezes dá para trabalhar o padrão de frente. Outras vezes é preciso começar por coisas mais básicas: dormir, aliviar a carga, resolver uma situação concreta.
Uma sessão não precisa de ser intensa para ser útil. Não procuro provocar experiências fortes para a consulta parecer profunda.
A mudança também não acontece toda dentro da hipnose. Nota-se quando começa a responder de outra maneira nas situações reais.
Quando não avanço.
Nem tudo precisa de ser trabalhado através da hipnose, e nem sempre é o momento certo para o fazer.
Há situações em que a dificuldade está a ser mantida por coisas mais básicas: falta de sono, exaustão, dor, sobrecarga ou uma situação concreta que ainda não está resolvida. Nesses casos, começo por aí.
Quando a vida da pessoa continua realmente insegura ou insustentável, não faz sentido tentar mudar apenas a reação. Primeiro é preciso olhar para as condições que a estão a provocar.
E há casos em que, depois de perceber o que está a acontecer, concluo que a hipnose não é a ferramenta certa ou não acrescenta o que a pessoa precisa. Nesses casos, não avanço por essa via.
O objetivo não é usar hipnose. É perceber o que faz sentido fazer.
Perguntas Frequentes
O que costuma gerar dúvidas antes da primeira consulta.
Vou perder o controlo ou ficar “preso” em hipnose?
Não. Durante a hipnose continua consciente, ouve o que está a acontecer e pode falar, mexer-se ou interromper a experiência. A hipnose não retira a sua capacidade de decidir.
É preciso acreditar em hipnose para funcionar?
Não. Não é uma questão de acreditar. É mais importante estar disponível para participar no processo, seguir as indicações e permitir-se experimentar, sem precisar de “fazer bem” ou de sentir alguma coisa especial.
Vou lembrar-me do que acontece durante a sessão?
Na maioria das vezes, sim. A pessoa mantém-se consciente e recorda o que aconteceu, embora alguns momentos possam ficar menos nítidos, tal como acontece noutras situações de atenção muito focada.
A hipnose permite recuperar memórias do passado?
Não funciona como uma gravação que permite voltar atrás e recuperar acontecimentos exatamente como ocorreram. A memória é reconstruída e pode ser influenciada, por isso não utilizo a hipnose para procurar uma suposta memória escondida ou para determinar se algo aconteceu de determinada maneira.
Quantas sessões podem ser necessárias?
Não existe um número igual para toda a gente. Depende da dificuldade, de há quanto tempo existe, do que a mantém e da forma como a pessoa vai respondendo ao processo. Vou avaliando consigo o que está a mudar e se faz sentido continuar.
Por onde começar.
A primeira consulta dura noventa minutos e serve para perceber o que acontece quando o padrão assume o comando, e o que o mantém. A hipnose não força a mente a obedecer: devolve escolha onde antes havia só reação.
Consultas presenciais em Carcavelos e online.

